Quinta-feira, Dezembro 28, 2006

O Governo é bom ou mau?

Recordo-me de um jantar em Castelo Branco onde José Sócrates, na altura Secretário-geral do PS disse que “um Governo é bom quando nos aproxima da média europeia; um Governo é mau quando nos afasta da média europeia”.

Dois anos depois do repasto beirão, 21 meses corridos de administração absoluta socialista, a Comissão Europeia e o Eurostat demonstraram que a economia nacional está a divergir cada vez mais do resto da Europa. Portugal, que já ocupou o 14º lugar no ranking europeu, está hoje na 17ª posição e tudo indica que, em 2008, será ultrapassado pela Estónia e por Malta, conseguindo assim uma brilhante 19ª posição na Europa dos 25.

Porém, o Governo ilude-se. Na boa tradição socialista confia na retoma económica para resolver todos os problemas, mas esta tarda em chegar. Ilude-se duplamente, porque pensa que essa retoma será suficiente para resolver os problemas do País. Pura ilusão!

Nos últimos anos, a taxa de crescimento do produto potencial português, i.e. o nível de produto no qual os recursos existentes numa economia estão empregues na sua totalidade, tem vindo a diminuir brutalmente. A Comissão Europeia alerta que o País tem crescido a níveis próximos da “máxima eficiência” e que, em 2007 e 2008, a economia portuguesa estará a crescer acima do seu produto potencial e, ainda assim, conseguindo um crescimento real de, respectivamente, 1,5% e 1,7% do PIB. Pior que crescer pouco é não ter forma de crescer mais!

A outra ilusão é a de que o crescimento económico por si só basta. Nem de perto. Só a Segurança Social, que representa cerca de 11% do PIB, apresentou um crescimento da despesa entre os 5% a 6%, muito acima do ritmo da economia. O Serviço Nacional de Saúde, por exemplo, custa 6% da riqueza nacional produzida num ano e a sua despesa, para além de nunca se saber muito bem quanto é, cresce também a ritmos semelhantes. Enquanto não se reformular o papel do Estado Social não há orçamento que fique duradouramente equilibrado, nem país que consiga invariavelmente viver acima das suas possibilidades.

Mas há uma dimensão política para além da estafada crise económica. O Governo de Sócrates não aceitando outras formas de financiamento das políticas sociais (na linha do que o PSD sugeriu há pouco para a Segurança Social), rapidamente vai perceber que a única solução será a de continuar a cortar e a cortar sem que as contas se equilibrem.

Que ninguém se espante, por isso, que num ano de correcção dos desequilíbrios das contas públicas na maior parte dos países europeus, Portugal, apresente a evolução mais desfavorável. A subida da dívida pública em percentagem do PIB, de 58,6% para 64%, foi a maior entre os 25 países da União e, o agravamento do défice de 3,2% em 2004 para 6% em 2005, conseguiu igualmente o feito de superar todos os outros parceiros europeus.

Porém, para o PS tudo o que sejam formas diferentes de prestação de serviços sociais adquirem o estatuto de instrumentos para a destruição ou "privatização" do "Estado Social". Ao pensar assim, condena o País em nome de um mero fetichismo socialista. Dir-se-á que esta concepção política é natural e inultrapassável. Mas nem sequer isso é verdade. Basta olhar para a Escandinávia ou para a Holanda para perceber como países com governos socialistas adoptaram modelos que Sócrates classificaria de neo-liberais, aniquiladores do Estado Social.

Assim sendo, resta-nos apenas saber quantos mais anos pensa Sócrates manter o crescimento negativo dos salários reais da função pública? Quantos mais impostos pensa lançar? Quantas mais vezes pensa reduzir o valor das reformas? Quantos mais anos pensa parar com o investimento público?

Quanto mais anos de divergência económica?

Quantos mais anos de atraso?

É o próprio Sócrates que responde a Sócrates: “um Governo é bom quando nos aproxima da média europeia; um Governo é mau quando nos afasta da média europeia”. Então, segundo o próprio, o dele não é apenas mau... é péssimo.

Escrito por maquiavel em 11:54:46 | Link permanente | Comments (0) |

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Primeiros sinais do estado de des(graça)

“Há uns anos falava-se muito do culto da personalidade. Quanto a mim, o culto da imagem é muito mais perigoso e vácuo; o culto da personalidade, embora fosse perigoso, ao menos tinha alguma substância. Os partidos socialistas e sociais-democratas deviam ter o culto da decisão colegial.”

Medeiros Ferreira, no Diário de Notícias…numa crítica muito explicita ao Primeiro-Ministro.

Escrito por maquiavel em 09:50:14 | Link permanente | Comments (0) |

Sexta-feira, Outubro 21, 2005

just politics

churchill

«Mostrando um dia a Câmara dos Comuns a um parente, Churchill explicou-lhe que, de um lado, se sentava o partido governamental e, em frente - "os nossos inimigos", atalhou o primo. "Não, disse Churchill. Aí sentam-se os nossos adversários. Os inimigos sentam-se na nossa bancada"»

in DN, 17 Outubro de 2005, por Francisco Sarsfield Cabral

 

Escrito por maquiavel em 11:51:01 | Link permanente | Comments (0) |

Segunda-feira, Outubro 17, 2005

a luta do dia-a-dia: o populismo

Durante os últimos anos temos assistido em Portugal, a um deitar por terra de todas as ilusões e esperanças que a democracia e liberdade conseguida no pós 25 de Abril havia proporcionado.

Hoje, é mais claro que nunca que o principal problema do país é, sem dúvida, o problema central dos partidos políticos: a manifesta falta de qualidade das suas figuras mais destacadas.

Contudo, este não é um problema exclusivo do âmbito partidário. Pelo contrário, uma vez que a democracia assenta, sobretudo, no papel dos partidos políticos, a falta de credibilidade, de seriedade, de sentido de Estado e de serviço público dos partidos políticos, acabam por ser percebidas como deficiências da democracia.

No País ou nas autarquias enquanto o sistema estiver assim montado, a democracia confunde-se com o Estado e este com os partidos. Gerou-se, desta forma, as bases para uma profunda crise institucional, a qual constitui presentemente o principal fundamento da crise económica e social que temos vindo a viver durante a última década.

Infelizmente, nos partidos políticos vive-se há muito a emergência deste fenómeno. O resultado tem sido um constante unanimismo interno – presidentes que se perpetuam em cargos e sucessões dinásticas – bem como a criação de "lealistas" onde o conceito de "lealdade" implica uma completa abdicação pessoal a favor do destino de uma personalidade ou de uma estratégia individual.

As estruturas há muito que deixam de discutir política ora porque esta não se encontra nas agendas das reuniões de militantes, ora porque as cúpulas entendem todas as outras posições como oposições e todas as afirmações como ataques pessoais. Vozes divergentes tornam-se "ferozes inimigos que pretendem apenas o poder", justificando a transformação das estruturas locais em autenticas "caixas fortes", blindadas e protegidas ao máximo. Mas pior que tudo isto é que se perderam milhares de militantes activos e válidos: o desinteresse das estruturas locais, o desprezo das cúpulas pelos militantes de base tem vindo a afastar os mais válidos e todos aqueles "financeiramente independentes" dos cargos que a política oferece. Ficaram os outros que, simultaneamente, são os piores. Se esta dinâmica foi consciente ou não é algo que fica ainda por responder.

A deterioração da qualidade dos políticos é, sem sombra de dúvida, consequência da degradação dos quadros partidário. A população desgostosa com os partidos tornou-se mais "flutuante" em termos de votação e o Populismo Democrático, mais especificamente o Populista, percebe e promoveu esta situação. A emergência do individuo político, em detrimento do partido político, assume contornos de despotismo iluminado temperado a sebastianismo e de facilitismo para a resolução das maleitas. O candidato populista é sempre supra-partidário. Salta para além do partido e dirige-se "altruisticamente" para a sociedade civil. Isto a olho nu; uma observação mais cuidada facilmente identifica a transposição dos mesmos métodos e dos mesmos agentes do partido a que está ligado.

As candidaturas independentes das autárquicas de 2005 provam isso mesmo. Os famosos candidatos independentes são invariavelmente importantes agentes das estruturas locais dos partidos que, por um motivo ou outro, entraram em confronto com a própria estrutura ou estruturas a montante. Que ninguém se engane, estes são os mesmos que delapidaram a credibilidade dos partidos políticos na sociedade actual.

Mas há esperança, é que se o Populismo Democrático tem as suas raízes no pior que os partidos têm, a génese é o prenúncio de que esta passagem será breve, uma moda de fim anunciado.

Contudo, o Populismo carrega em si um enorme perigo. É que uma forte característica do Populismo consiste na exaltação do unanimismo, seja dentro ou fora dos partidos. Às vezes consegue, outras não, mas o Populismo tenta sempre disfarça-se de projecto ideológico transversal – rejeitando matrizes ideológicas e apostando na emoção e na personalização. Ás vezes é só a pessoa, outras é só "técnica" mas nunca são ideias, nunca é ideologia. Dois exemplos recentes tornam esta característica clara:

1) Numa carta de  Valentim Loureiro aos idosos de Gondomar a certa altura este escreve:«Eu sei que vai votar em mim. Tenho a certeza. Você é minha(meu) amiga(o). Obrigado pelo seu "voto" »

2) Nas vésperas de eleições autárquicas de 2005, Luís Filipe Menezes, no jantar de apresentação de candidatos, salientou a importância das várias facções políticas que convergem no seu projecto para Gaia, desde o PSD/CDS ao BE, do PS à CDU e afirma: «Não é um saco de gatos (os candidatos apresentados), que decidem por interesse, mas sim pessoas que acreditam neste projecto…já não vai ser a crença no liberalismo, nem em valores de esquerda ou de direita que vão separar as águas».

Enquanto que em 1) estamos perante um populismo embrutecido, simplório, do estilo placebo, a ideia contida em 2) é extremamente perigosa. Neste caso, cabe desde logo questionar o que é que vai separar as águas em Vila Nova de Gaia? Da afirmação facilmente se conclui que é o "projecto". Mas qual é o projecto que reúne o PSD/CDS, o BE, o PS e a CDU. A simples sugestão de existir apenas um projecto, equivale a consagrar a apologia da técnica em detrimento da prática política; equivale a sugerir que há uma técnica, e consequentemente técnicos, sem valores políticos, morais ou éticos. Técnica, e técnicos, convergente de forma transversal equivale a negar toda a evolução civilizacional, constituída por fricções sucessivas entre valores e crenças seja no liberalismo, no marxismo, no conservadorismo, ou em outra coisa qualquer.

É exactamente por isto que este discurso tem contornos perigosos. Sugere que é possível existir apenas uma via ou um partido. Este é um discurso e, infelizmente, uma prática que não constitui novidade para nós portugueses. São as mesmas ideias e os mesmos princípios que presidiram à queda da Primeira República e ao surgimento do Estado Novo.

Hoje, sabemo-lo bem, uma alternativa democrática, pese embora todos os seus custos, é sempre superior a uma ditadura pessoal iluminada, a um projecto individual e unânime.

Escrito por maquiavel em 15:17:22 | Link permanente | Comments (0) |

Quinta-feira, Outubro 13, 2005

vergonha

Carta do Candidato Independente Valentim Loureiro aos idosos de Gondomar que constam da listagem de utilizadores de um programa municipal.

 

 


« Cara (o) Gondomarense,

Infelizmente, não me foi possível, nos últimos tempos, falar consigo, como tanto desejava.

Você tem o "CARTÃO IDADE MAIS". Com este cartão, como sabe, pode participar nos Programas que, na qualidade de PRESIDENTE DA CÂMARA, mandei fazer para todas(os) as(os) Gondomarenses, com mais de 62 anos de idade:

                         "GONDOMAR DOURO ACIMA"

                        "AVÓS DE GONDOMAR A VOAR"

                        "CONHECER GONDOMAR"

 Sei que estes programas têm sido muito bem aceites pelas(os) Gondomarenses.

Estes programas proporcionam a todas(os) os que neles participam, agradáveis dias de férias, dias de muita alegria, muita felicidade, muito convívio e bem estar.

E, como é público, os Programas "Avós de Gondomar a Voar" e " Conhecer Gondomar" estão em andamento, abertos a todas(os).

Pois bem, se quer, no futuro, continuar a ter tudo isto e, se possível, ainda muito mais;

            Então, cara(o) amiga(o) 

VOTE

"VALENTIM LOUREIRO – GONDOMAR NO CORAÇÃO" "VALENTIM II"

 Mas, não se engane a votar. Eu, desta vez, não sou candidato pelo PSD. O Dr. Marques Mendes obrigou-me a ir a votos como Candidato Independente.

Ao votar não se engane. Repare bem. NÃO VOTE NO PSD, NÃO VOTE na coligação, NÃO VOTE nas "setinhas". NÃO VOTE nas "chaminés", como se costuma dizer.

Vote, no "VALENTIM". Ponha a "cruzinha" no boletim de voto "VERDE" e no boletim de voto "AMARELO"…NO ÚLTIMO QUADRADINHO, CÁ EM BAIXO.

Eu sei que vai votar em mim. Tenho a certeza. Você é minha(meu) amioga(o).

Obrigado pelo seu "voto".

 

            E, já sabe, CONTE SEMPRE COMIGO. MAS, CONTE MESMO!!!

 

                                                            Um abraço do,

                                                                        assinatura (Valentim Loureiro)

 

Gondomar, 27 de Setembro de 2005

 

NOTA:No Domingo, depois de sabermos os resultados, venha comemorar a vitória comigo, no Largo do Souto, em S.Cosme. »


Percebo agora porque ganhou...

VLfoto

Obrigado Marques Mendes.

Escrito por maquiavel em 16:58:57 | Link permanente | Comments (0) |

Quarta-feira, Outubro 12, 2005

Perdemos por 3-1

Fátima, Valentim e Isaltino ganharam por 3-1.

O golo de honra veio cedo e, por isso, parabéns Amarante!

É, de facto, muito triste este país.

Escrito por maquiavel em 12:18:47 | Link permanente | Comments (0) |

Quarta-feira, Junho 22, 2005

nem sempre é sério

E Deus disse:"Que cresça a erva, que a erva dê semente, e que da semente cresçam árvores e dêem frutos".

E Deus povoou a Terra com alfaces e couves-flor, espinafres, Milho e vegetais verdes de todas as espécies, para que o Homem e a Mulher pudessem viver longas e saudáveis vidas.

E Satanás criou o McDonald's e a promoção dois BigMacs por cinco euros.

E Satanás disse ao Homem: - "Queres as batatas fritas com quê?"

E o Homem disse: - "Na promoção, com Coca-Cola, ketchup e mostarda".
E o Homem engordou cinco quilos.

E Deus criou o iogurte saudável, para que a Mulher pudesse manter a forma esbelta de que o Homem tanto gostava.

E Satanás criou o chocolate. E a Mulher engordou cinco quilos.

E Deus disse: -"Experimentem a minha salada".

E Satanás criou os pratos de bacalhau com natas e marisco.

E a mulher engordou dez quilos.

E Deus disse: - "Enviei-vos bons e saudáveis vegetais e o azeite para que possais cozinhar de forma saudável".

E Satanás inventou a gordura saturada, a galinha frita e o Peixe frito com muito óleo. O Homem ganhou 10 quilos e os níveis de colesterol bateram no tecto.

E Deus criou sapatos de corrida e o Homem perdeu os quilos extras.

E Satanás criou a televisão por cabo com controlo remoto para que o homem não tivesse de se levantar para mudar de canal.

E o Homem ganhou mais vinte quilos.

E Deus disse:- "Estás a passar dos limites, Demónio".

E o Homem teve um ataque cardíaco.

E Deus criou a intervenção cirúrgica cardíaca.

E Satanás criou o sistema de saúde português.

Mas Deus salvou o homem dando-lhe uma nova oportunidade.

Aí Satanás criou o PS.

E o Homem acabou por eleger o Sócrates.

E Deus disse: -"Bom, agora é que lixaste tudo!"

Escrito por maquiavel em 09:58:09 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, Junho 14, 2005

Spaciba tovarich Cunhal

 

Pero,
portugués de la calle
entre nosotros nadie nos escucha,
sabes donde está Álvaro Cunhal

Neruda (Lâmpada Marinha)

"Cunhal está morto" – responderá hoje o português da rua. Bem longe do Marxismo-Leninismo, e sem qualquer pinga de admiração por Estaline, a morte dessa personagem ímpar do século XX, actor da história de Portugal e do mundo comunista não deixa ninguém indiferente.
 
Não concordar com ele é, não só uma inevitabilidade histórica, como também um confronto ideológico para quem, como eu, é um perigoso reformista de índole liberal. Mas tal não significa que "aquele que morreu quando quis e não quando outros quiseram" seja apenas uma referência para os que com ele partilham o ideário comunista. É mais que justo que Cunhal seja lembrado por todos, como um político de convicções que sempre arriscou a vida na luta e na defesa do que acreditava. Criou um partido que, à sua imagem e semelhança, permanece até hoje ortodoxo e purista. Mas deixou igualmente uma marca impressionante em todos que, directa ou indirectamente, conviveram com ele. Deixou um legado de força e coragem, corporizado até por aqueles que, dentro do PCP, lutaram contra ele, como João Amaral que, a escassos meses do fim da sua vida, combatia ainda pela renovação do partido.

Podemos não partilhar da visão de Cunhal e até discordar da cartilha Marxista-leninista que, ao arrepio da vontade da maioria do povo português, pretendia implementar em Portugal. Dele, ficará para sempre o prenúncio de que "Viverá bem pouco quem não vir o socialismo em Portugal". Não ganhou nem impôs, felizmente, o seu projecto, mas perdurará para sempre a marca de quem, em 1992 e com 79 anos, assegurava ainda a sua fidelidade ao marxismo-leninismo e ao comunismo que "não morreu", prometendo lutar enquanto "tiver um sopro de vida".

Cumpriu e por isso merece todo o respeito.
Cumpriu e isso vale muito nos dias de hoje.

Por isso "Spaciba tovarich Cunhal" (obrigado "camarada" Cunhal).

Escrito por maquiavel em 09:58:26 | Link permanente | Comments (2) |

Quarta-feira, Maio 25, 2005

surpreendido? não!

A Introdução pelo Governador do Banco de Portugal do Relatório da comissão para a análise da situação orçamental, vulgarmente denominado "Relatório Constâncio", apresenta a seguinte menção:

"Pela segunda vez fui solicitado pelo Governo para presidir a uma Comissão para analisar a situação das Finanças Públicas. Em 2002, tratava-se de reavaliar as contas do ano anterior e desta vez de efectuar uma estimativa do défice previsível para 2005"

Sócrates ficou, assim, surpreendido que a dimensão do défice que "havia de ser, caso não fizéssemos nada e cumpríssemos as promessas eleitorais reiteradas em Fevereiro" poderia atingir a bonita soma de 6,83%.

Terá ficado, igualmente, surpreendido por governar há três meses e não ter tomado uma única medida?
Terá ficado, igualmente, surpreendido por não ter ainda aprovado um orçamento rectificativo?
Terá ficado, igualmente, surpreendido por governar há três meses e não ter tomado uma única medida?

Terá ficado, igualmente, surpreendido por:

1) Ter assumido, dia 14/04/05, numa entrevista à RTP, o compromisso de não aumentar os impostos durante esta legislatura.
"Nós não vamos aumentar os impostos porque essa é a receita errada", disse José Sócrates, que nunca antes tinha sido tão claro sobre esta matéria.
Considerando um erro o aumento da carga fiscal decidido pelo governo de Durão Barroso, Sócrates assegurou "Não vamos cometer os erros do passado".
E repetiu que a receita deste Governo é reduzir a despesa e conseguir "mais efeitos" com o combate à fraude e evasão fiscal.

O primeiro-ministro revelou ainda que o défice público português naquele momento"será muito acima dos 5% e próximo dos 6%". Falando sobre a comissão Constâncio, que tem a missão de avaliar o défice, José Sócrates antecipou desde já um valor "à volta dos 6%" e assegurou que o programa de estabilidade e crescimento que está a ser preparado pelo Ministério das Finanças já tem em conta este cenário macroeconómico.

2) A 05/03/05, as primeiras declarações públicas do ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha admitia que a subida dos impostos, a médio prazo, é "praticamente inevitável". "A subida dos impostos é uma possibilidade a encarar. Não como primeira medida mas, se necessário for, pelo menos no médio prazo", afirmou Campos e Cunha à rádio TSF.

Ficou então surpreendido de quê?

Escrito por maquiavel em 10:02:28 | Link permanente | Comments (0) |

Quarta-feira, Abril 13, 2005

sobre o XVII governo

 

onde está

o que faz

 

 

 

 

 

 

Escrito por maquiavel em 11:19:59 | Link permanente | Comments (1) |